Jogo de memória infantil é inspirado nos Orixás

Jogo de memória infantil é inspirado nos Orixás

março 2, 2021 0 Por priscilla marques

Baobá é Memória é um jogo de cartas, inspirado nos orixás, foi lançado pela poeta Thata Alves. O brinquedo tem como objetivo, servir de distração para as crianças, mas também trazer para elas um aprendizado direcionado às religiões de matriz africana. Thata Alves explica que o jogo é uma ferramenta para quebrar com o estigma da demonização das religiões de matriz africana. ”Valores africanos como a humildade, o respeito aos mais velhos, e a oralidade, fazem parte do conceito deste jogo, que vai contar com imagens de todos os orixás do panteão brasileiro. A ideia é que, em um segundo momento, o jogo de cartas reúna as histórias/itans de cada um”, revela.

A ideia do Baobá de Memória veio em um momento em que a poeta foi fazer compra de brinquedos para os seus filhos gêmeos, algo que não fazia há um bom tempo, segundo ela, e ficou bem frustrada por não ver nenhum brinquedo que tivesse a representatividade que gostaria. Thata conta que, nesse momento, lembrou de uma criança que era sua vizinha e que sofreu muito preconceito das crianças por ser iniciada no Candomblé. “Unindo as duas questões, decidi buscar as imagens dos Orixás na internet, e fiz um jogo da memória provisório, com as imagens coladas em papelão. A partir deste primeiro jogo, comecei a brincar com as crianças e explicar um pouco das histórias em torno de cada Orixá, como venho aprendendo no Candomblé”, lembra. 

Thata Alves se inspirou nos Orixás para produzir o jogo – Foto: Edlaine Pereira

A poeta acredita que essa inspiração para o jogo foi um presente de seu Orixá. “Penso que foi um presente de meu Orí e de Ogum por me dar esta ferramenta, essa tecnologia que, por meio de saberes ancestrais, vão introduzir de forma mais natural a filosofia de vida que o Candomblé é, além de agregar conhecimento cultural às nossas crianças”, comenta a poeta e completou. “Não é somente através de um jogo que vamos acabar com todo o preconceito destinado às religiões de matriz africana, mas com ele podemos influenciar as crianças para que tenham uma percepção menos pavorosa da religião”.

Projeto pedagógico 

Ela completa dizendo que a ideia é levar o projeto para as escolas. “Temos, de um lado, o ensino da literatura grega nas escolas, algo tão distante da nossa realidade, da nossa cultura e até mesmo da nossa língua, em relação ao vocabulário. E do outro, a filosofia africana é muito mais presente, mais rente aos nossos costumes, às nossas vivências, então a ideia é que elas caracterizem os Orixás de forma mais natural. E, por isso, penso em inserir esse projeto nas escolas, conforme a lei 10.639/03 que trata da obrigatoriedade do ensino da história da cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio”, diz. 

Thata explica que não quer que os Orixás sejam comparados aos heróis, personagens dominados pela branquitude, mas que as crianças percebam as forças existentes na natureza. “Quero que as crianças perceberem as forças que existem na própria natureza. A água doce, por exemplo, nos mata a sede, nos banha, fornece limpeza aos alimentos, assim como na preparação de alimentos, como a sopa. E as forças da natureza ‘quando revoltadas’ também são dilúvios, enxurradas, enchentes. Então, a ideia é que as crianças compreendam que não há forças maiores que as próprias forças da natureza” detalha. 

O jogo foi lançado, de forma online, devido a pandemia do coronavírus e podem ser adquiridos através das redes sociais da idealizadora do projeto.