Fotógrafo resgata memória visual do candomblé baiano

Fotógrafo resgata memória visual do candomblé baiano

fevereiro 20, 2021 0 Por priscilla marques

A proposta de pesquisa se ocupa em identificar duas fotos realizadas na segunda metade do século XIX pelo fotógrafo Marc Ferrez que podem ser atribuídas a Mãe Pulquéria, antiga Ialorixá do terreiro do Gantois. Combinando, de forma interdisciplinar, elementos teórico-metodológicos da antropologia visual e história social a pesquisa buscou revelar a identidade de uma das mulheres que compõe a série de fotografias “Negra da Bahia”, do fotógrafo. 

O ponto de partida foi a suspeita das imagens pertencerem a Mãe Pulquéria, a quem o autor vem desenvolvendo pesquisas ultimamente. Imbuído do espírito em revelar novas imagens dessa importante sacerdotisa de Oxóssi, e em ampliar a memória visual do candomblé baiano, foi em busca de caminhos repleto de encontros, desencontros, equívocos e descobertas.

O projeto “Mãe Pulquéria do Gantois: em busca de novas imagens para uma iconografia do candomblé da Bahia” tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e da Fundação Pedro Calmon (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Dada a quase ausência de registros iconográficos de personagens que foram importantes para a formação e consolidação do candomblé, a confirmação da identidade de Pulquéria nas fotografias de Ferrez trará novos elementos que ajudam a compor a história do candomblé da Bahia.

Naquele tempo, uma categoria de fotografia foi bastante utilizada por esses profissionais, a de “tipos humanos”, em que se podia ver homens e mulheres não-brancos retratados em toda a sua diversidade, mas com um problema, tratava-se da exposição de rostos que permanecem desconhecidos para a história visto que destituídos de identidade e subjetividade – apenas gente em exibição, todos negros.